calm like a bomb


'...fazendo aquela média clássica entre a lei de murphy e a teoria do caos...'
reapareci !
já escrevi nesse blog que quando a gente quer uma coisa de verdade o universo conspira pra que isso aconteça.
e as coisas estão acontecendo.
da maneira mais errada, como deve ser...
a porta se mantém fechada e as janelas cada vez mais abertas.
os trabalhos cada vez mais temporários. mas isso me dá mais tempo pra estudar.
as tempestades continuam por perto, mas eu me mantenho em pé. e sem medo dos ventos.
continuo não lutando contra o inevitável, mas evito-o sem pestanejar!

e a minha fé tem sido muito importante.
fé em quê?
no caso... fé em mim... e fé na minha fé.
andei vendo o poder que minha mente tem na minha vida !
apesar de sempre mandarem que eu siga meu coração, o cérebro é o comandante desse barco.
como as folhas de outono, meu senso caiu sobre mim...
me fez ver que meu coração quer um caminho calmo...
é hora de crescer. é hora de aprender. aprender a escolher as batalhas.
não posso deixar meus pensamentos voarem como traças...
e viverem presas em um abajur...
com suas asas batendo e queimando... através de noites intermináveis...
rezando para que alguém apague a luz...

eu decido quando apagar a luz. porque eu não preciso de abajur.
tenho em mim tudo que preciso pra viver minha vida.
não cabe a ninguém a responsabilidade de completar o que me falta.

pra enxergar o infinito
debaixo dos meus pés
não basta olhar de cima !!!
e buscar no escuro, no obscuro
a sombra que me segue todo dia
deixo quieto e seguro as páginas dos sonhos que não li
e outra vez não me impeço de dormir !!!

but baby... what about me...

estou sem internet... e sem telefone...
isolada !
me perdendo e me encontrando.

Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação...
Nos dias que tem comida comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão nos separam de um irmão.
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração

Mas não choramos à toa!

Não choramos à toa!

Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização...
Falamos a sua língua, mas não entendemos o seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão.

Mas não sorrimos à toa!

Não sorrimos à toa!

Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação...
Não temos perspectivas mas o vento nos dá a direção.
A vida que vai à deriva é a nossa condução.

Mas não seguimos à toa!

Não seguimos à toa!

Volte para o seu lar...
Volte para lá...

...e se o amanhã não chegar...


dizem que a morte é o começo de uma nova vida. em um outro lugar. com outras pessoas. fazendo outras coisas.
mas não nos perguntam se queremos ir. não nos dizem para onde vamos e como vai ser lá.
eles simplesmente te levam... não interessa se você acabou de casar, ou se seu neto vai nascer.
as vezes você acabou de ver uma pessoa... que já não está mais viva.
sabe, as vezes você acorda atrasado, ou queima o arroz, ou até quebra um copo...
ACONTECE...
e é assim que a gente morre.
ACONTECE...
você vai dormir e quando acorda está em outro lugar.
ou sai pra almoçar e não volta mais pra casa.

'mas eu estava com ele ontem...' 'mas eu falei com ele agora...' 'ele tinha tantos planos...'

ontem é muito previsível... AGORA é real... mas o futuro as vezes, não chega...

e é AGORA é que a nossa vida acontece.
ontem você falou e fez tudo que queria?
e o que você guarda pra fazer amanhã? não é importante hoje?
imagine viver se escondendo no amanhã uma vida inteira e de repente o amanhã te ser roubado...
o que vão dizer de ti?
que viveu? ou que pensou em viver?

na vida nos deram muitas dúvidas e poucas certezas...
e acho até que a única certeza é a de que todo ser vivo, morre...
o que nos surpreende é como morre e quando morre.
porque essa também é uma dúvida.

VIVA INTENSAMENTE SUA VIDA HOJE !

porque se o amanhã não chegar... terá valido a pena...

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora ou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

sexta feira 13 de valkyria

nooossa, tive um sonho muuuito estranho... sonhei que acordei e me olhei no espelho... e eu era outra pessoa... e me chamava valkyria...
nossa, como eu era gostosa...

o sonho ... se eu bem me lembro era assim...
antes das 4 da tarde começam as mensagens do pessoal pra ir dançar... e eu já percebo que a noite vai ser longa quando o rafa falou que ia levar a bicicleta... ui...
a galera não tá pra brincadeira...

tudo muito certo pra ser verdade... eu tinha que ter desconfiado que era um sonho !

saimos no horário, warm up básico, vodka e cigarros. os mais importantes estão presentes.
pista de dança e doses de alegria...
aaah q sexta feira !
as vezes fechava os olhos e simplesmente saia do corpo... o som estava bom. os amigos eram os melhores...

feels just like it should

entre uma gargalhada e outra eu ouço minha amiga dizer: look who is here...


no meio da pista... ... quase perfeito...
com certeza o vira-lata mais lindo que eu já vi...
e ele vinha na minha direção...
não lembrava meu nome... aposto... mas lembrava de mim.
um abraço forte... umas perguntas bobas...

-tá cheiroso hein... saiu de casa agora?
-sai, mas já tô pensando em voltar...
-ah, não gostou da balada?
-aham... vou no banheiro...
[uns flashs começaram a passar na minha cabeça, como se eu já tivesse entrado naquele banheiro com aquele alemão... e o sorriso dele confirmou os flashs]
-vai comigo?
-nãão... acho melhor eu ficar longe de você e do banheiro hoje...

meus amigos pensam em como matar aquele cara e minhas amigas me perguntam como eu nego um presente deste tamanho...
e parece que começa uma luta em mim... que ninguém viu.
uma luta entre o sonho e o real.
entre o efêmero e o concreto.
entre valkyria e eu.
e eu lutei...
desviava os olhares. mudava de lugar...
até olhar o espelho da entrada do banheiro... e ver que não era eu, era ela...
é sonho ! é sexta feira 13 !


-você acredita que eu preciso usar o banheiro de novo???
-... tem um só pros homens, você sabe né...
-ah, mas não tem privacidade... quero usar um banheiro que tenha porta.
-... então você tem que entrar na fila.
-eu não posso entrar com você?

é impossível negar qualquer coisa pra uma boca dessa.
e em menos de um minuto já estava atracada no pescoço dele no último banheiro, no fim do corredor.
parecia um dejávú

mas dessa vez eu estava mais louca. e ele não tentou tirar minha roupa como da outra vez...
só parou um beijo delicioso me segurando pelos braços com muita força, e disse: a gente vai embora daqui, tá...

como eu já disse... é impossível negar alguma coisa pra essa boca.

bom.
não preciso contar mais detalhes do meu 'sonho' né.
no sonho ele era perfeito... tinha o carro perfeito... o apartamento perfeito... o beijo perfeito...
no sonho foi tudo perfeito...

e ainda me falaram que esses sonhos não tem mais de 03 segundos...
ô.O

tire o seu sorriso do caminho

isso mesmo, meu amor, vá embora !
vá pra longe, e se me ama como diz que ama, não volta...
assim, saberá que estou bem.
posso sentir saudades, mas saudade dói menos do que você...
de saudade eu não choro mais.
chorava quando havia dor. agora a dor virou só um
vazio, cheio de fumaça...
um vazio de tudo que eu perdi de mim, que eu perdi que não existiu, um vazio do que me importava e do que me doia.
eu já tinha decidido que não mais me machucaria, mas o meu ego quer provar pra você que eu sou tudo que você precisa.
e aí entra o seu ego e diz que você só precisa do seu umbigo fofo e juntos, vocês vão conquistar o mundo...
as vezes tenho vergonha de te amar mesmo sem acreditar que é amor.
mas se eu me importava tanto com você, se eu gostava tanto de te ver dormindo, se quando eu pensava em alguem eu pensava em você... não sei o que mais poderia ser.
eu queria uma vacina contra você...
queria resistir a tuas frases feitas e não precisar das tuas noites perfeitas...
pra mim você tem que ser visto como uma pessoa que não existiu... eu criei as coisas boas e você só aparecia de verdade nas partes ruins... o resto era um dublê. ou um personagem que você inventou.
uma fogueira enorme, que me puxa e me queima...
que se engana e se esconde.
que diz que ama quando na verdade não sabe amar.
quer ter tudo sem dar nada.

isso tudo sempre foi pra você vira-lata. a partir de agora é pra mim.
o passado não condena, só talvez não viva mais...

e talvez um dia nós nos encontremos...
e talvez possamos conversar e não apenas falar...

Eu não alimento nada duvidoso
Eu não dou de comer a cachorro raivoso
Eu não morro de raiva
Eu não mordo no nervo dormente
Eu posso até não achar o seu coração
E talvez esquecer o porquê da missão
Que me faz nessa hora aqui presente
Eu não alimento nenhuma ilusão
Eu não sou como o meu semelhante
Eu não quero entender
Não preciso entender sua mente
Sou somente uma alma em tentação
Em rota de colisão
Deslocada, estranha e aqui presente

ATO II CENA II

Jardim de Capuleto. Entra Romeu.

ROMEU — Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo. (Julieta aparece na janela.) Mas silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela. Deixa, pois, de servi-la; ela é invejosa. Somente os tolos usam sua túnica de vestal, verde e doente; joga-a fora. Eis minha dama. Oh, sim! é o meu amor. Se ela soubesse disso! Ela fala; contudo, não diz nada. Que importa? Com o olhar está falando. Vou responder-lhe. Não; sou muito ousado; não se dirige a mim: duas estrelas do céu, as mais formosas, tendo tido qualquer ocupação, aos olhos dela pediram que brilhassem nas esferas, até que elas voltassem. Que se dera se ficassem lá no alto os olhos dela, e na sua cabeça os dois luzeiros? Suas faces nitentes deixariam corridas as estrelas, como o dia faz com a luz das candeias, e seus olhos tamanha luz no céu espalhariam, que os pássaros, despertos, cantariam. Vede como ela apoia o rosto à mão. Ah! se eu fosse uma luva dessa mão, para poder tocar naquela face!
JULIETA — Ai de mim!
ROMEU — Oh, falou! Fala de novo, anjo brilhante, porque és tão glorioso para esta noite, sobre a minha fronte, como o emissário alado das alturas ser poderia para os olhos brancos e revirados dos mortais atônitos, que, para vê-lo, se reviram, quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar sereno.
JULIETA — Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
ROMEU (à parte) — Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
JULIETA — Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU — Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu.
JULIETA — Quem és tu que, encoberto pela noite, entras em meu segredo?
ROMEU — Por um nome não sei como dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso, por ser teu inimigo; se o tivesse diante de mim, escrito, o rasgaria.
JULIETA — Minhas orelhas ainda não beberam cem palavras sequer de tua boca, mas reconheço o tom. Não és Romeu, um dos Montecchios?
ROMEU — Não, bela menina; nem um nem outro, se isso te desgosta.
JULIETA — Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto a própria morte – se quem és atendermos – caso fosses encontrado por um dos meus parentes.
ROMEU — Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.
JULIETA — No caso de seres visto, poderão matar-te.
ROMEU — Ai! Em teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com doçura, e é quanto basta para deixar-me à prova do ódio deles.
JULIETA — Por nada deste mundo desejara que fosses visto aqui.
ROMEU — A capa tenho da noite para deles ocultar-me. Basta que me ames, e eles que me vejam! Prefiro ter cerceada logo a vida pelo ódio deles, a ter morte longa, faltando o teu amor.
JULIETA — Com quem tomaste informações para até aqui chegares?
ROMEU — Com o amor, que a inquirir me deu coragem; deu-me conselhos e eu lhe emprestei olhos. Não sou piloto; mas se te encontrasses tão longe quanto a praia mais extensa que o mar longínquo banha, aventurara-me para obter tão preciosa mercancia.
JULIETA — Sabe-lo bem: a máscara da noite me cobre agora o rosto; do contrário, um rubor virginal me pintaria, de pronto, as faces, pelo que me ouviste dizer neste momento. Desejara – oh! minto! – retratar-me do que disse. Mas fora! fora com as formalidades! Amas-me? Sei que vais dizer-me "sim", e creio no que dizes. Se o jurares, porém, talvez te mostres inconstante, pois dos perjúrios dos amantes, dizem, Jove sorri. Ó meu gentil Romeu! Se amas, proclama-o com sinceridade; ou se pensas, acaso, que foi fácil minha conquista, vou tornar-me ríspida, franzir o sobrecenho e dizer "não", porque me faças novamente a corte. Se não, por nada, nada deste mundo. Belo Montecchio, é certo: estou perdida, louca de amor; daí poder pensares que meu procedimento é assaz leviano; mas podeis crer-me, cavalheiro, que hei de mais fiel mostrar-me do que quantas têm bastante astúcia para serem cautas. Poderia ter sido mais prudente, preciso confessá-lo, se não fosse teres ouvido sem que eu percebesse, minha veraz paixão. Assim, perdoa-me, não imputando à leviandade, nunca, meu abandono pronto, descoberto tão facilmente pela noite escura.
ROMEU — Senhora, juro pela santa lua que acairela de prata as belas frondes de todas estas árvores frutíferas...
JULIETA — Não jures pela lua, essa inconstante, que seu contorno circular altera todos os meses, porque não pareça que teu amor, também, é assim mudável.
ROMEU — Por que devo jurar?
JULIETA — Não jures nada, ou jura, se o quiseres, por ti mesmo, por tua nobre pessoa, que é o objeto de minha idolatria. Assim, te creio.
ROMEU — Se o amor sincero deste coração...
JULIETA — Pára! não jures; muito embora sejas toda minha alegria, não me alegra a aliança desta noite; irrefletida foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que dizer possamos: Ei-lo! brilhou! Boa noite, meu querido. Que o hálito do estio amadureça este botão de amor, porque ele possa numa flor transformar-se delicada, quando outra vez nos virmos. Até à vista; boa noite. Possas ter a mesma calma que neste instante se me apossa da alma.
ROMEU — Vais deixar-me sair mal satisfeito?
JULIETA — Que alegria querias esta noite?
ROMEU — Trocar contigo o voto fiel de amor.
JULIETA — Antes que mo pedisses, já to dera; mas desejara ter de dá-lo ainda.
ROMEU — Desejas retirá-lo? Com que intuito, querido amor?
JULIETA — Porque, mais generosa, de novo to ofertasse. No entretanto, não quero nada, afora o que possuo. Minha bondade é como o mar: sem fim, e tão funda quanto ele. Posso dar-te sem medida, que muito mais me sobra: ambos são infinitos. (A ama chama dentro.) Ouço bulha dentro de casa. Adeus, amor! Adeus! – Ama, vou já! – Sê fiel, doce Montecchio. Espera um momentinho; volto logo. (Retira-se da janela.)
ROMEU — Oh! que noite abençoada! Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro em demasia para ser realidade.
(Julieta torna a aparecer em cima.)
JULIETA — Romeu querido, só três palavrinhas, e boa noite outra vez. Se esse amoroso pendor for sério e honesto, amanhã cedo me envia uma palavra pelo próprio que eu te mandar: em que lugar e quando pretendes realizar a cerimônia, que a teus pés deporei minha ventura, para seguir-te pelo mundo todo como a senhor e esposo.
AMA (dentro) — Senhorita!
JULIETA — Já vou! Já vou! – Porém se não for puro teu pensamento, peço-te...
AMA (dentro) — Menina!
JULIETA — Já vou! Neste momento! – ... que não sigas com tuas insistências e me deixes entregue à minha dor. Amanhã cedo te mandarei recado por um próprio.
ROMEU — Por minha alma...
JULIETA — Boa noite vezes mil. (Retira-se.)
ROMEU — Não, má noite, sem tua luz gentil. O amor procura o amor como o estudante que para a escola corre: num instante. Mas, ao se afastar dele, o amor parece que se transforma em colegial refece.
(Faz menção de retirar-se.)
(Julieta torna a aparecer em cima.)
JULIETA — Psiu! Romeu, psiu! Oh! quem me dera o grito do falcoeiro, porque chamar pudesse esse nobre gavião! O cativeiro tem voz rouca; não pode falar alto, senão eu forçaria a gruta de Eco, deixando ainda mais rouca do que a minha sua voz aérea, à força de cem vezes o nome repetir do meu Romeu.
ROMEU — Minha alma é que me chama pelo nome. Que doce som de prata faz a língua dos amantes à noite, tal qual música langorosa que ouvido atento escuta?
JULIETA — Romeu!
ROMEU — Minha querida?
JULIETA — A que horas, cedo, devo mandar alguém para falar-te?
ROMEU — Às nove horas.
JULIETA — Sem falta. Só parece que até lá são vinte anos. Esqueci-me do que tinha a dizer.
ROMEU — Deixa que eu fique parado aqui, até que te recordes.
JULIETA — Esquecê-lo-ia, só para que sempre ficasses ai parado, recordando-me de como adoro tua companhia.
ROMEU — E eu ficaria, para que esquecesses, deixando de lembrar-me de outra casa que não fosse esta aqui.
JULIETA — É quase dia; desejara que já tivesses ido, não mais longe, porém, do que travessa menina deixa o meigo passarinho, que das mãos ela solta – tal qual pobre prisioneiro na corda bem torcida – para logo puxá-lo novamente pelo fio de seda, tão ciumenta e amorosa é de sua liberdade.
ROMEU — Quisera ser teu passarinho.
JULIETA — O mesmo, querido, eu desejara; mas de tanto te acariciar, podia, até, matar-te. Adeus; calca-me a dor com tanto afã, que boa-noite eu diria até amanhã.
ROMEU — Que aos teus olhos o sono baixe e ao peito. Fosse eu o sono e dormisse desse jeito! Vou procurar meu pai espiritual, para um conselho lhe pedir leal. (Sai.)