...contando as horas...

e esse ano q não acaba...
o problema não é ele não acabar... é ele acabar comigo...
cada segundo muda uma direção. uma visão. uma postura.
se eu não morrer esse fim d ano alguma coisa em mim morrerá.

minhas palavras já morreram. não sei nem o q pensar q dirá o q escrever...

*
mais cazuza...

depois que eu descobri que era triste
as tardes ficaram mais azuis.
eu descobri. Eu sou triste !
depois que eu levei porrada.
que os urubus se mostraram
depois da ingenuidade.
entrei numa fase estranha...
não reviro cores.
não explodo a luz.
estou sentado esperando...
como os velhos palhaços do blues...
o namorado que levou um bolo...
um garoto perdido dos pais...

e mais conversas raras me mostrando q o ódio pode ser poético...

A ÍNDOLE DA MULTIDÃO

há suficiente traição. ódio. violência.
absurdo no ser humano comum.
para abastecer qualquer exército a qualquer momento.
e os melhores assassinos são aqueles
que pregam contra o assassinato.
e os melhores no ódio são aqueles que pregam AMOR.
e os melhores na guerra - enfim - são aqueles que pregam paz.
aqueles que pregam Deus precisam de Deus...
aqueles que pregam paz não têm paz.
aqueles que pregam amor não têm amor...
cuidado com os pregadores !
cuidado com os conhecedores.
cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros.
cuidado com aqueles que ou destestam a pobreza ou orgulham-se dela.
cuidado com aqueles rápidos em elogiar.
pois eles precisam de louvor em retorno.
cuidado com aqueles que são rápidos em censurar:
eles temem o que desconhecem.
cuidado com aqueles que procuram constantemente multidões.
eles não são nada sozinhos.
cuidado !
o homem vulgar...
a mulher vulgar...
CUIDADO com o amor deles !
seu amor é vulgar. busca vulgaridade.
mas há força em seu ódio...
há força suficiente em seu ódio para matá-lo.
para matar qualquer um.
não esperando solidão.
não entendendo solidão...
eles tentarão destruir qualquer coisa que difira deles mesmos...
não sendo capazes de criar arte. eles não entenderão a arte...
considerarão seu fracasso como criadores apenas como falha do mundo.
não sendo capazes de amar plenamente
eles acreditarão que seu amor é incompleto...
então te odiarão !
e seu ódio será perfeito...
como um diamante brilhante...
como uma faca... como uma montanha...
como um tigre...
como cicuta...
sua mais refinada ARTE...
*
bukowski


Um comentário:

Clementine disse...

e esse ano que não acaba e essa dor que não passa, a ferida que não sara, e o amor infindável e insensato que nunca pára.

ódio e amor sempre andam na mesma linha.
como eu adoro esse espelho aqui.
como eu adoro observar esse espelho.